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17 maggio

. . . a n y o n e . a n y w h e r e . . .


 

Anyone , Anywhere (Anathema)

 

No one seems to care anymore
I wander through this night all alone
No one feels the pain I have inside
Looking at this world through my eyes

No one really cares where I go
Searching to feel warmth forever more
The wheels of life they turn without me
Now you are gone eternally

No
Don’t leave me here
The dream carries (me) on
Inside
I know
It’s not too late
Lost moments blown away
Tonight

Mankind, with your heresy
Can’t you see that this is killing me
There’s no one in this life
To be here with me at my side.

 

Interessantissímo o fato de como as pessoas compartilham das mesmas dores "mundanas" e interiores em diferentes partes do universo.

As vezes parecemos estar só em algumas situações....e do outro lado do mundo alguém agoniza por causa semalhante... isso é muito louco!!!

Observamos tais movimentações mais claramente na musica -  uma linguagem universal que aproxima as mais diversas formas de vida humana, independentes de status, etnia, credo... 

 

"Nenhuma arte tem um efeito tão profundo e imediato como a música, do mesmo modo que nenhuma arte nos revela, tão imediata e profundamente, a verdadeira natureza do mundo."
(A. Schopenhauer)

 

ANATHEMA no Brasil!!!

Sonho???

Nãããããããããããõ!!!

REALIDADE!!! =]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]
  

 

15 maggio

"A Tragicomédia de Nossa Vida..."

A TRAGICOMÉDIA DE NOSSA VIDA 

 

Vista e examinada minuciosamente de alto e de longe, a vida de cada homem tem o aspecto de uma comédia; em sua total consideração ou em seus aspectos mais dignos de apreço, se apresentará como uma contemplação trágica. 
O afã e o trabalho de cada dia, os desejos e receios cotidianos, as desgraças de cada hora, os acasos da sorte sempre disposta a nos enganar são outras tantas cenas da comédia. 
As  aspirações iludidas, as ilusões desfeitas, os esforços baldados, os êrros que completam nossa vida, as dores que se acumulam até terminar na morte, o último ato, eis a tragédia. 
Parece que o destino quis juntar o escárnio ao desespero, e, fazendo de nossa vida uma tragédia, não nos permite conservar a dignidade de uma personagem trágica. 
Por isso é que em todos os atos da vida representamos o lamentável papel de cômicos. 

(Arthur Schopenhauer)

 

Estou demasiadamente deprimida...

Cansade de ser forte, estou desabando...

 

Ps.: Esta observação não tem absolutamente nada a ver com o post, mas é preciso manifestar minha felicidade pela "volta" do André (Definitivamente MUUUITO especial!!!) 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

02 maggio

"Petit Épiphanies" (2.0)

 
 
 

PEQUENAS EPIFANIAS

 

Caio Fernando Abreu


Dois ou três almoços, uns silêncios.
Fragmentos disso que chamamos de “minha vida”.


Há alguns dias, Deus – ou isso que chamamos assim, tão descuidadamente, de Deus –, enviou-me certo presente ambíguo: uma possibilidade de amor. Ou disso que chamamos, também com descuido e alguma pressa, de amor. E você sabe a que me refiro.
Antes que pudesse me assustar e, depois do susto, hesitar entre ir ou não ir, querer ou não querer – eu já estava lá dentro. E estar dentro daquilo era bom. Não me entenda mal – não aconteceu qualquer intimidade dessas que você certamente imagina. Na verdade, não aconteceu quase nada. Dois ou três almoços, uns silêncios. Fragmentos disso que chamamos, com aquele mesmo descuido, de “minha vida”. Outros fragmentos, daquela “outra vida”. De repente cruzadas ali, por puro mistério, sobre as toalhas brancas e os copos de vinho ou água, entre casquinhas de pão e cinzeiros cheios que os garçons rapidamente esvaziavam para que nos sentíssemos limpos. E nos sentíamos.
Por trás do que acontecia, eu redescobria magias sem susto algum. E de repente me sentia protegido, você sabe como: a vida toda, esses pedacinhos desconexos, se armavam de outro jeito, fazendo sentido. Nada de mal me aconteceria, tinha certeza, enquanto estivesse dentro do campo magnético daquela outra pessoa. Os olhos da outra pessoa me olhavam e me reconheciam como outra pessoa, e suavemente faziam perguntas, investigavam terrenos: ah você não come açúcar, ah você não bebe uísque, ah você é do signo de Libra. Traçando esboços, os dois. Tateando traços difusos, vagas promessas.
Nunca mais sair do centro daquele espaço para as duras ruas anônimas. Nunca mais sair daquele colo quente que é ter uma face para outra pessoa que também tem uma face para você, no meio da tralha desimportante e sem rosto de cada dia atravancando o coração. Mas no quarto, quinto dia, um trecho obsessivo do conto de Clarice Lispector – Tentação – na cabeça estonteada de encanto: “Mas ambos estavam comprometidos. Ele, com sua natureza aprisionada. Ela, com sua infância impossível”. Cito de memória, não sei se correto. Fala no encontro de uma menina ruiva, sentada num degrau às três da tarde, com um cão basset também ruivo, que passa acorrentado. Ele pára. Os dois se olham. Cintilam, prometidos. A dona o puxa. Ele se vai. E nada acontece.
De mais a mais, eu não queria. Seria preciso forjar climas, insinuar convites, servir vinhos, acender velas, fazer caras. Para talvez ouvir não. A não ser que soprasse tanto vento que velejasse por si. Não velejou. Além disso, sem perceber, eu estava dentro da aprendizagem solitária do não-pedir. Só compreendi dias depois, quando um amigo me falou – descuidado, também – em pequenas epifanias. Miudinhas, quase pífias revelações de Deus feito jóias encravadas no dia-a-dia.
Era isso – aquela outra vida, inesperadamente misturada à minha, olhando a minha opaca vida com os mesmos olhos atentos com que eu a olhava: uma pequena epifania. Em seguida vieram o tempo, a distância, a poeira soprando. Mas eu trouxe de lá a memória de qualquer coisa macia que tem me alimentado nestes dias seguintes de ausência e fome. Sobretudo à noite, aos domingos. Recuperei um jeito de fumar olhando para trás das janelas, vendo o que ninguém veria.
Atrás das janelas, retomo esse momento de mel e sangue que Deus colocou tão rápido, e com tanta delicadeza, frente aos meus olhos há tanto tempo incapazes de ver: uma possibilidade de amor. Curvo a cabeça, agradecido. E se estendo a mão, no meio da poeira de dentro de mim, posso tocar também em outra coisa. Essa pequena epifania. Com corpo e face. Que reponho devagar, traço a traço, quando estou só e tenho medo. Sorrio, então. E quase paro de sentir fome.


O Estado de S. Paulo, 22/04/86.

 

 

"Reprisando" este belíssimo texto... o titulo deveria ser: "Lucéli's Real Life" (=PPP)

Estou me sentindo "oca"...

Aliás...será que existe mesmo alguma coisa aqui dentro???

Tenho duvidas!!!